
Silas teve mais de meio ano, teve a vantagem de iniciar os trabalhos numa pré-temporada, teve a dádiva de uma intertemporada, tem Paulo Paixão, tem um grupo de jogadores que formam a maior folha salarial do Grêmio no milênio. Mesmo assim, não se vê o trabalho do Silas, muito menos alguma idéia tática ou trabalho de jogadas. Pelo contrário, se vê o Rodrigo dizendo após o empate com o Vitória que “quanto mais o time treina, mais erra em campo”.
Não concordo, mas entendo a posição da direção ao demonstrar – ao menos nos microfones – convicção no “trabalho” do Silas. Quero acreditar que é apenas para evitar que se exteriorize uma crise maior, e que os dirigentes não estão pensando nas conseqüências políticas numa hora dessas. Mas presidente, pare de falar publicamente que o trabalho do Silas já foi provado. Na Copa do Brasil o Grêmio parou no primeiro adversário com alguma qualidade e o argumento de que “é loucura demitir um técnico que nos deu o Gauchão”, ficaria bem na boca de um dirigente do interior. Na de um presidente do Grêmio, fica chato pra nós.
A certeza é que o Grêmio precisa de um novo técnico, com uma nova idéia de trabalho (no caso, ALGUMA, idéia de trabalho), e acho difícil que o próprio Silas se transforme neste NOVO técnico. A única dúvida é QUANDO esse novo treinador virá, e consequentemente a ela, qual será sua missão. Título? Vaga na Libertadores? Ou algo ainda menos honroso?
(cristian bonatto)
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