
Podemos dizer que o Grêmio jogou melhor do que o Internacional na maior parte dos 90 minutos, no Beira-Rio. Se fosse para ter um vencedor, este seria o Tricolor. Porém, o resultado de 0×0 mantém o time numa situação dramática na tabela de classificação e ainda faz persistir o tabu vergonhoso de não vencermos fora de casa no Brasileirão há mais de um ano.
Já não é mais possível contar nos dedos de uma mão as oportunidades que o Grêmio poderia sair com os três pontos longe do Olímpico. Vamos citá-las aqui: Atlético Goianiense, Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro e Internacional. Embora haja clubes grandes nessa lista, o Grêmio os enfrentou jogando melhor, mas deixando a vitória espaçar por erro próprio, ou com um adversário em crise técnica. Portanto, foram pontos perdidos para um time que era cotado ao título brasileiro.
Silas não vai cair nesta rodada, tampouco pode ser responsabilizado pelas três excelentes defesas de Renan, pelo pênalti não marcado pelo Salvio Spinola e o gol feito que o Borges conseguiu perder no final da etapa inicial. Mas o técnico gremista segue fazendo alterações tardias e ainda errando ao executá-las.
Contra o Cruzeiro, Silas tirou Jonas, num momento em que o ideal seria manter os dois atacantes para matar o jogo no contra-ataque. O castigo pela falta de ousadia veio logo depois, quando a Raposa empatou o jogo. Diante do Inter, o placar ainda estava 0×0, quando ele colocou Souza, tardiamente, para tirar Borges e deixando o time com apenas um atacante. Isso é atitude covarde.Tão absurdo e inexplicável quanto é Neuton nem constar no banco de reservas. Fora a justificativa de lesão, não há explicação para não relacionar o guri para o clássico, ainda mais com Ozéia fazendo uma falta atrás da outra. Roth tirou Índio, que fazia uma partida ruim, e colocou Fabiano Eller, enquanto que Silas via Ozéia pedir para ser expulso e não tinha opção de banco.
Num clássico sem zagueiro no banco de reservas e apenas um lateral-direito no elenco, naturalmente revela a displicência do nosso Departamento de Futebol. Ao mesmo tempo em que vemos os outros clubes da Série A contratando, o Grêmio segue satisfeito. Afinal, Meira deve ter razão em achar normal jogar um clássico sem zagueiro no banco de reservas.
Para a partida contra o Fluminense, no domingo que vem, o Grêmio não terá Ozeia, Hugo e Jonas. Arrisco-me a dizer que os dois primeiros não farão falta pela partida que fizeram neste domingo. Já o atacante é uma perda e foi burro ao dar um carrinho desnecessário, resultando no seu terceiro amarelo. Assim, Silas deve recorrer a André Lima, que possui características diferentes do artilheiro gremista.
Para não ser chato, vou parabenizar a boa partida de Rafael Marques, seguido por Rodrigo, que voltou a jogar simples e bem. Adilson e Ferdinando me agradaram também e o time ganha mais em marcação com os dois do que com a presença de Rochemback. Maylson não foi mal, mas precisa treinar mais as finalizações. Já William Magrão segue numa fase infeliz, enquanto que Souza teve tempo apenas para mostrar vontade.
Agora é pensar na Copa Sul-Americana, a nossa salvação em 2010. Nas atuais circunstâncias, o Grêmio tem apenas a finalidade de lutar por esse título e ainda somar uma quantia de pontos para escapar da zona de rebaixamento. Pouco para um time com a folha salarial do Grêmio, mas diante de tanta bagunça, foi o que nos restou.
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